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Defesa Civil EEB Mechiades 1Com o objetivo de preparar as gerações futuras para o enfrentamento de desastres, o programa Defesa Civil na Escola (PDCE) iniciou em 2021 com a participação de estudantes de uma escola estadual em cada uma das 36 coordenadorias regionais vinculadas à Secretaria de Estado da Educação (SED). As próximas ações estão sendo planejadas para que, nos próximos três anos, todas as escolas catarinenses sejam mobilizadas a aderir à iniciativa.

O Programa está mudando a realidade dos alunos da EEB Melchíades Bonifácio Espíndola, em Balneário Rincão, no Sul do Estado. Rosinei da Silveira, coordenador regional de Proteção e Defesa Civil em Criciúma, motivou os alunos a contribuir para o avanço dos processos educativos para preparar os cidadãos em relação aos problemas climáticos do século 21. “O aluno precisa passar por um processo interdisciplinar para que o conhecimento seja prazeroso, valorizando a curiosidade e a pesquisa.”

Defesa Civil EEB Mechiades 3Roseli Henrique Fernandes, professora de Geografia, vê o programa como um incentivo para os estudantes que moram em locais em situação de vulnerabilidade social. “Dentro do PDCE, desafiamos nossos alunos a produzirem notícias sobre problemas ambientais locais. Não poderiam só abordar o fato, mas acompanhar o desenvolvimento e propor uma solução. Eles não tinham se dado conta de que precisavam educar o olhar para o entorno, não viam os riscos dos locais onde residiam. O alagamento, uma constante em sua realidade, foi tema central de vários trabalhos”, conta Roseli.

Os principais objetivos do programa, para a gerente de pesquisas e projetos da Defesa Civil, Regina Panceri, é fortalecer a preparação comunitária e promover ações que ampliem a resiliência nas comunidades, nos estudantes e na população diante da ocorrência de eventos adversos, além de possibilitar aos participantes um diferencial no processo de formação acadêmica para que se tornem multiplicadores no âmbito social e comunitário.

Ações realizadas pelo programa na prática

Alguns trabalhos desenvolvidos nas aulas de Língua Portuguesa da unidade são exemplares. Entre eles, Shaiara da Silva Moura, 13, e Guilherme Mendonça da Rocha, 14, elaboraram um estudo completo sobre os problemas relacionados aos animais de estimação.

“Quando falamos de problemas ambientais, as pessoas pensam em catástrofes e, geralmente, esquecem que os animais fazem parte também. Durante a temporada, os turistas trazem seus animais e não levam embora, deixam os bichos, trazendo adversidades ambientais e sanitárias.”, conta Shaiara.

WhatsApp Image 2021 09 22 at 14.46.33Além do risco de acidentes, William percebeu uma realidade que lhe era oculta. “Tudo que pesquisamos, eu não fazia ideia que existia. Comecei a perceber meu espaço, olhar para fora do ônibus e enxergar os animais espalhados. A Defesa Civil abriu meus olhos para isso, hoje eu percebo o meu redor”.

Já Alisson Von Muhlen, 12, encontrou uma solução para um problema que afeta sua família todos os dias: um lixão atrás de casa. Morador da zona sul da cidade, o aluno sofre com as consequências dessa situação, seja pelos animais peçonhentos que o visitam por conta do lixo, seja pelo cheiro do chorume nos dias quentes.

“Eu não conhecia a Defesa Civil, a professora me mostrou. Eu estava tentando encontrar pessoas para arrumar a vala e agora eu e minha família temos a esperança de resolver esse problema. Deu outro significado ao meu cotidiano”, desabafa Alisson.

O programa, destinado aos alunos do 7º ano, derrubou barreiras e envolveu toda a comunidade escolar. Benta Mota, servidora da unidade, lembra com carinho da mudança de comportamento dos estudantes com a limpeza das salas de aula. “Eu achei legal quando os alunos vieram me perguntar sobre o meu trabalho. As pessoas que trabalham na limpeza muitas vezes são invisíveis”.

O Programa da Defesa Civil na Escola impactou também a rotina dos estudantes da EEB Nossa Senhora da Conceição, em São José, na Grande Florianópolis. Nessa unidade o Programa foi realizado com três turmas do 7º ano e uniu professores de cinco disciplinas.

Entre as ações realizadas esteve a criação da linha do tempo com os principais desastres naturais que ocorreram em Santa Catarina e a atuação da Defesa Civil nessas ocorrências. Além disso, para discutir o tema “enchentes” e compreender a situação de seca que o país vem enfrentando, os estudantes construíram um pluviômetro, instrumento usado na mensuração de chuva. Os alunos ainda assistiram a conteúdos audiovisuais sobre os riscos das enchentes, com enfoque no risco de doenças de veiculação hídrica prejudiciais à saúde.

Para a professora de Ciências, Glícia Resende, a realização do projeto envolveu a participação de toda a escola e possibilitou que os alunos se tornassem multiplicadores dos conhecimentos. “Foi de grande relevância para todos, realmente um presente poder ter participado de um projeto tão significativo”, finaliza.