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Oficina robótica prof Carlos 2Para valorizar as boas práticas e professores que vão além da sua missão de ensinar, ao longo do mês de outubro, o Educa SC divulga a série “Eu, professor, faço a diferença” com histórias de educadores que motivam e inspiram a comunidade escolar. Nesta matéria, conheça a história do professor Carlos Rutz, da Escola de Educação Básica (EEB) Bom Pastor, em Chapecó. 

“Vivendo uma lua de mel com a profissão”. É assim que o professor de matemática Carlos Rutz, da Escola de Educação Básica (EEB) Bom Pastor, de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, refere-se ao trabalho que desempenha há 11 anos. Rutz é conhecido por colegas e alunos pelo amor e dedicação ao ofício, que vai além da sala de aula e motiva os estudantes. Neste Mês do Professor, conheça a história inspiradora deste educador.

Carlos Rutz nasceu na zona rural do município de Panambi, no Rio Grande do Sul. Aos 17 anos, saiu de casa para cursar Matemática na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e foi durante a graduação que descobriu a paixão por ensinar.

“Sempre participei de projetos de pesquisa e extensão, a maioria deles voltados para estudantes da Educação Básica de Santa Maria. Foram anos de muito aprendizado e a universidade pública teve papel fundamental na minha formação. Eu realmente vivi a universidade e ela me tornou professor”, relembra.

Em 2010, ano em que começou a lecionar, Rutz chegou a trabalhar em escolas de três cidades diferentes de forma simultânea. Em 2012, após passar em um concurso do estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, o professor passou a trabalhar em dois estados, ao mesmo tempo em que fazia mestrado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Pato Branco. Atualmente, o educador dedica seu tempo somente às atividades na EEB Bom Pastor, de Chapecó.

Oficina de robótica e astronáutica

Oficina robótica prof Carlos 1Em 2014, em uma visita ao laboratório de matemática da EEB Bom Pastor, o professor Carlos Rutz, encontrou alguns kits de robótica encaixotados e, de imediato, procurou a direção da escola para propor a criação de uma oficina.

Como não possuía conhecimento suficiente na plataforma de programação dos robôs, Rutz buscou ajuda em universidades da região e encontrou apoio na Universidade do Oeste do Estado de Santa Catarina (Unoesc), com professores e acadêmicos do curso de Sistemas da Informação e Ciências da Computação.

Na parceria com a Unoesc, os alunos da primeira série do Ensino Médio aprendem a programar com os universitários durante um ano. Após esse período, os estudantes que obtiverem destaque são convidados a se serem monitores de uma nova turma, criada no ano seguinte. Assim, o projeto tornou-se autossuficiente dentro da escola.

“Nesse processo, sempre incentivo os veteranos do projeto a prepararem suas explicações, criando roteiros semelhantes aos planos de aula para repassar seus conhecimentos adquiridos no ano anterior, principalmente os que envolvem a matemática e a lógica da programação, sempre motivando os novos estudantes da oficina a criarem projetos de forma criativa, sustentável e inovadora”, conta Rutz.

Professor que faz a diferença

Motivar os estudantes é uma das especialidades do professor Carlos Rutz. O estudante João Pedro Brunoni, 21, participou da oficina de robótica e astronáutica em 2015, quando estudava no segundo ano do Ensino Médio da EEB Bom Pastor. No ano seguinte, foi monitor da oficina e continuou como voluntário mesmo após se formar e segue até hoje.

Prof e aluno em VargeãoAtualmente, o ex-aluno está cursando a faculdade de Engenharia de Controle e Automação no campus Chapecó, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). De acordo com João Pedro, a escolha do curso foi inspirada pela experiência na oficina de robótica e astronáutica do professor Carlos Rutz.

“Matemática sempre foi minha paixão. A oficina me ajudou a selecionar qual área dentro das exatas eu gostaria de encarar. Tivemos contato com a faculdade enquanto ainda cursávamos o Ensino Médio e eu acredito que todo o jovem deveria ter esse tipo de contato. As aulas do Rutz e a oficina não só me ajudaram na escolha do curso, como me inspiram até hoje a buscar a profissão que eu almejo, que é ser professor”, conta.

Para o professor Carlos Rutz, ver os estudantes ingressando no Ensino Superior motivados pelas práticas desenvolvidas em atividades que ele mesmo orientou é uma conquista marcante para sua carreira como educador.

“Desde que escolhi a minha profissão, faço de tudo para poder mudar a realidade e apresentar alternativas para o futuro dos estudantes que tenho contato. Sou cria da escola e da universidade pública. Acredito na qualidade e na importância da educação pública e gratuita. Estou exatamente onde gostaria de estar, fazendo o que gosto de fazer. Sem o meu trabalho, não tenho identidade”, destaca.

Professor de destaque

Por sua dedicação na oficina de robótica e astronáutica, Carlos Rutz venceu em primeiro lugar o Prêmio de Inovação Catarinense 2021, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), na categoria Professor Inovador. Mas esse não é o único destaque que Rutz possui por sua atuação na área da educação.

Em 2019, o professor recebeu o Prêmio Educador Elpídio Barbosa, oferecido pelo Conselho Estadual de Educação a profissionais que tenham feito alguma contribuição significativa para a formação dos estudantes. No ano seguinte, Carlos Rutz foi um dos dez professores destaques da 18ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace).

“Eu nunca almejei títulos individuais, mas entendi que as práticas que estava realizando estavam mudando a realidade de muitos estudantes. Pude perceber que eles estavam gostando de ser os protagonistas das criações, pesquisas e apresentações. Então, pelo ambiente que eu consegui criar para que os estudantes desenvolvessem seus projetos e ideias, me senti responsável e decidi concorrer. Receber o prêmio foi muito gratificante”, diz.

Além das premiações individuais, Rutz acumula outros títulos pelo seu trabalho desenvolvido com os alunos. A Robot League, como é chamada a oficina de robótica e astronáutica criada pelo professor, também conta com diversos destaques, entre eles um troféu conquistado em 2018, no International Tournament of Robots (ITR), etapa internacional do Torneio Juvenil de Robótica (TJR).

Professor Inovador
No ano passado, com a pandemia da Covid-19, as escolas precisaram fechar as portas por tempo indeterminado para proteger a comunidade escolar e conter o avanço do novo coronavírus. Por conta disso, professores do mundo todo precisaram reinventar suas aulas usando a tecnologia como aliada.

Na EEB Bom Pastor não foi diferente. Entusiasta da astronomia, o professor Carlos Rutz aproveitou a pandemia para introduzir o tema. “É um assunto que eu sempre gostei e já queria implementar no laboratório de matemática. Trabalhamos remotamente na produção de uma websérie com vídeos semanais postados no YouTube”, conta.

Na série disponível no Youtube “Onde é o meu espaço?”, cada semana um estudante foi responsável pela pesquisa, produção e apresentação de um tema – que, geralmente, coincidia com algum evento astronômico que aconteceria na semana -, como solstícios, equinócios e chuvas de meteoros, enquanto o professor Carlos Rutz atuava como uma espécie de diretor do programa.

Próximos passos
Em dezembro deste ano, a Robotic League irá representar o Brasil na FIRA RoboWorld Cup: a Copa do Mundo de Robótica, que será disputada no Brasil, em São Luís, no Maranhão.

Além disso, a oficina de robótica e astronáutica do professor Carlos Rutz também está na final nacional do Torneio Juvenil de Robótica (TJR), representando o estado de Santa Catarina em oito modalidades. A disputa acontecerá em dezembro, em São Paulo.