A educação, essencialmente, constitui-se como um processo contínuo de humanização e emancipação do sujeito. A Política de Educação Integral em Tempo Integral para o Território Catarinense marca um momento histórico relevante e um passo importante para todo o sistema de ensino. Este documento, fruto de um diálogo coletivo que reuniu professores, gestores, Coordenadorias Regionais de Educação, universidades e outras instituições externas governamentais e não governamentais, não propõe apenas a extensão do tempo escolar, mas a transição de uma escola de conteúdos para uma escola de sentidos.
Ao assumirmos o compromisso com a jornada ampliada de, no mínimo, sete horas diárias, a rede estadual de Santa Catarina reafirma que o tempo é um aliado da qualidade. No entanto, o verdadeiro diferencial desta política reside na concepção de Educação Integral. A política define a Educação Integral como o desenvolvimento do sujeito em suas múltiplas facetas: cognitiva, física, social, emocional, afetiva, socioambiental, cultural e política. O objetivo é que o tempo ampliado na escola seja preenchido com experiências que façam sentido para a vida e para o território onde o aluno está inserido.
Para que essa visão se materialize, o currículo rompe com a fragmentação tradicional e busca a integração de saberes, valorizando o território como espaço educativo. Nesta perspectiva, a escola deixa de ser uma ilha para se tornar parte do ecossistema de vida dos sujeitos. Alicerçada nos princípios da equidade e da justiça curricular, esta política dedica um olhar atento às diversidades que compõem o solo catarinense. Reconhecemos e celebramos as identidades dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos sujeitos do campo e das águas, e do público da educação especial. Mais do que incluir, combatendo frontalmente o racismo, o capacitismo e as desigualdades estruturais que historicamente marginalizaram esses grupos.
A Política de Educação Integral em Tempo Integral para o Território Catarinense propõe não só o tempo estendido, mas uma possibilidade de construção de uma escola que formará um sujeito em sua integralidade para uma aprendizagem com sentido, em uma educação integradora, descolonizada, emancipatória e atenta no combate às discriminações.
